O povo da Tanzania cultiva muitos mitos e são apegados às crenças. Para muitos, um albino, ou melhor, partes de seu corpo, é um
amuleto de sorte, para outros, eles são fantasmas, uma maldição!
Ao mesmo
tempo que são conhecidas como “filhas do mal” e abandonadas pela família,
pois estas acreditam que ter um albino em casa é uma maldição, as crianças com albinismo são perseguidas e mutiladas pela
população que acredita que parte de seu corpo é um amuleto de sorte.
Nascer
albino na África é lutar pela sobrevivência desde o nascimento!
“Quando nasci, os membros da minha comunidade
aconselharam minha mãe a me envenenar, nascer albino na Tanzânia significa
estar condenado a sofrer [...]. [...] Quando fui para a escola comecei a ter
problemas, meus colegas tinham medo de mim, medo de me tocarem, achavam que se
me tocassem começariam a sangrar ou desapareceriam [...]. Muita gente não sabe
o que é albinismo, pensam que sou um fantasma e às vezes acreditam que somos
menos humanos.” (Hasan Hasimi, refugiado albino em seu próprio país)
Pescadores colocam pedaços dos corpos de albinos em suas
redes; empresários e políticos tem partes dos corpos como amuleto para dar sorte nos negócios e nas eleições;
pessoas com AIDS acreditam que ter relação sexual com um albino trará a cura!
.
Abandonado pela família, vítima de rejeição social, mutilado, considerado
não humano, um fantasma, confinado à pobreza etc, o albino africano ainda tem de enfrentar os
problemas de saúde, como, por exemplo, a deficiência visual e o câncer de pele. O site www.helpafricanalbinos.com informa que 80% dos albinos não chegam aos 30 anos de idade em decorrência do câncer. Pobres e sem estudar são obrigados a trabalhar em fazendas, sob o sol e, claro, sem proteção!
Conforme a ONU, a Tanzânia tem cerca de 200 mil albinos e é o país que possui o maior número de ataques. Desde 2000 foram registradas 151 mortes, não estando
computadas, no entanto, as mutilações sem mortes.
Os ativista em defesa das pessoas com albinismo trabalham com seguranças, pois também correm riscos. Lembrando: empresários e políticos estão envolvidos na caçada aos albinos, por isso o assunto é pouco discutido por aqui!
Neste domingo fui em uma livraria em Dar es Salaam e ao perguntar à funcionária se havia algum livro sobre o albinismo, um homem se aproximou e perguntou por que meu interesse sobre o assunto(?). Sem dar muitas informações fui embora, com um pouco de medo, confesso!
Ah! Este é ano de eleições aqui na Tanzania, ano de maior perigo para os albinos, por isso muitos estão escondidos, estão presos, para não virarem presas!
Asante!
Nos vemos "Pela Tanzânia"!
Susimara Weschenfelder
Nos vemos "Pela Tanzânia"!
Susimara Weschenfelder
https://www.facebook.com/pelatanzania

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